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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Meu Reino Não É Deste Mundo

"Torno pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és Rei dos Judeus. Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu reino é daqui. Disse-lhes então Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz."
João, cap. XVIII, 33-37

Por estas palavras, Jesus se refere claramente à vida futura, que ele apresenta, em todas as circunstâncias, como o fim a que se destina a humanidade,(...).
Este dogma pode ser considerado, portanto, como o ponto central do ensinamento do Cristo.(...)
Só ele pode justificar os absurdos da vida terrestre e harmonizar-se com a justiça de Deus.(...)
Jesus entretanto, conformando o seu ensino ao estado dos homens de época, evitou de lhes dar o esclarecimento completo, que os deslumbraria em vez de iluminar,(...)
O Espiritismo veio completar, nesse ponto, como em muitos outros, o ensinamento do Cristo, quando os homens se mostraram maduros para compreender a verdade. Com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É realidade material, provada pelos factos.
Texto retirado do livro "O Evangelho Segundo O Espiritismo" de Allan Kardec.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santo Agostinho

Santo Agostinho é um dos maiores divulgadores do Espiritismo. Ele se manifesta por quase toda a parte, e a razão disso a encontramos na vida desse grande filósofo cristão. Pertence a essa vigorosa falange dos Pais da Igreja, a que a Cristandade deve as suas mais sólidas bases. Como muitos, ele foi arrancado ao paganismo, ou melhor diremos, à mais profunda impiedade, pelo clarão da verdade. Quando, em meio de seus desregramentos, ele sentiu na própria alma a estranha vibração que o chamava para si mesmo e lhe fez compreender que a felicidade não estava nos prazeres enervantes e fugidos; quando, enfim, na sua Estrada de Damasco, ele também ouviu a santa voz que o chamava:"Saulo, Saulo, por que me persegues?" exclamou "Meu Deus! Meu Deus, perdoa-me, eu creio, sou cristão!". E desde então se tornou um dos mais firmes pilares do Evangelho. Podemos ler, nas notáveis confissões desse eminente Espírito, as palavras características e proféticas, ao mesmo tempo, as que ele pronunciou ao ter perdido Santa Mónica; "Estou certo de que minha mãe virá visitar-me e dar-me os seus conselhos, revelando-me o que nos espera na vida futura." Que lição nestas palavras, e que brilhante previsão da futura doutrina! É por isso hoje, vendo chagada a hora de divulgação da verdade, que ele já havia pressentido, fazer o seu ardente propagador, e se multiplica, por assim dizer, para atender a todos os que a chamam.
Erasto
Discípulo de São Paulo, Paris, 1863
Texto retirado do livro "O Evangelho Segundo O Espiritismo" de Allan Kardec

domingo, 27 de janeiro de 2013

A Ciência e a Religião (cont.)


A Ciência e a Religião não puderem entender-se até agora, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, repeliam-se mutuamente. Era necessária alguma coisa para preencher o espaço que as separava, um traço de união que as ligasse. Esse traço está no conhecimento das leis que regem o mundo espiritual e suas relações com o mundo corporal, leis tão imutáveis como as que regulam o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez constatadas pela experiência essas relações, uma nova luz se fez: a fé dirigiu à razão, esta nada encontrou de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido.
Mas nisto como em tudo, há os que ficam retardados, até que sejam arrastados pelo movimento geral, que os esmagará, se quiserem resistir em vez de se entregarem. É toda uma revolução moral que se realiza neste momento, sob a acção dos Espíritos. Depois de elaborada durante mais de dezoito séculos ela chega ao momento de eclosão, e marcará uma nova era da humanidade. São fáceis de prever as suas consequências: ela deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais, contra o que ninguém poderá opor-se, porque elas estão nos desígnios de Deus e são o resultado da lei do progresso, que é uma lei de Deus.
Texto retirado do livro " O Evangelho Segundo O Espiritismo" de Allan Kardec.  

Aliança da Ciência com a Religião

A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana. Uma revela as leis do mundo material, e a oura as leis do mundo moral. Mas aquelas e estas leis, tendo o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se umas forem a negação das outras, umas estarão necessariamente erradas e as outras certas, porque Deus não pode querer destruir a sua própria obra. A incompatibilidade, que se acredita existir entre duas ordens de ideias, provém de uma falha de observação, e do excesso de exclusivismo de uma  e de outra parte. Disso resulta um conflito, que originou a incredulidade e a intolerância.
São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo devem receber o seu complemento; em que o véu lançado intencionalmente sobre algumas partes dos ensinos deve ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista deve levar em conta o elemento espiritual; e em que a Religião, deixando de desconhecer as leis orgânicas e imutáveis da matéria, essas duas forças, apoiando-se mutuamente e marchando juntas, sirvam uma de apoio para a outra. Então a Religião, não mais desmentida pela Ciência, adquirirá uma potência indestrutível, porque estará de acordo com a razão e não se lhe poderá opor a lógica irresistível dos factos.
Texto retirado do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo" de Allan Kardec.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

O Espiritismo

O Espiritismo é a nova ciência que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e suas relações, com o mundo material. Ele nos mostra esse mundo, não mais como sobrenatural, mas, pelo contrário, com uma das forças vivas e incessantemente actuantes da natureza, com a fonte de uma infinidade de fenómenos até então incompreendido  e por essa razão rejeitados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas revelações que o Cristo se refere em muitas circunstâncias é por isso que muitas coisas que ele disse ficaram ininteligíveis ou foram falsamente interpretadas. O Espiritismo é a chave que nos ajuda a tudo explicar com facilidade.
A lei do Antigo Testamento está personificada em Moisés; a do Novo Testamento, em Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus. Mas não esta personificado em ninguém, porque ele é o produto do ensinamento  dado, não por um homem, mas pelos Espíritos, que são as vozes do céu,em toda a parte da terra e por inumerável multidão de intermediários. Trata-se, de qualquer maneira, de um ser colectivo, compreendendo o conjunto dos seres do mundo espiritual, cada qual trazendo aos homens o tributo e a sorte que nele os espera.
Da mesma maneira que disse Cristo " Eu não vinho destruir a lei cristã, mas dar-lhe cumprimento."Ele( espiritismo) nada ensina contrário ao ensinamento do Cristo, mas o desenvolve, completa e explica, em termos claros para todos, na época predita, o que o Cristo anunciou, e preparar o cumprimento das coisas futuras. Ele(espiritismo) é, portanto, obra do Cristo, que o preside, assim como preside ao que anunciou: a regeneração que se opera e que prepara o Reino de Deus sobre a terra.
Texto retirado do livro "O Evangelho Segundo O Espiritismo" de Allan Kardec.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Não Vim Destruir A Lei

Não pensais que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para dar-lhes cumprimento. Porque em verdade vos digo que o céu e a terra não passarão, até que não se cumpra tudo quanto está na lei, até o último jota e o último ponto. (São Mateus, V: 17-18)

Jesus não veio destruir a lei, o que quer dizer : a lei de Deus. Ele veio cumpri-la, ou seja, desenvolvê-la, dar-lhe o seu verdadeiro sentido e apropriá-la ao grau de adiantamento dos homens. Eis por que encontramos nessa lei o princípio dos deveres para com Deus e para com o próximo, que constitui a base de sua doutrina. Quando às leis de Moisés propriamente ditas ele, pelo contrário, as modificou profundamente*, no fundo e na forma. Combateu constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, e não podia fazê-las passar por uma reforma mais radical do que reduzi-las a estas palavras:"Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo", e ao acrescentar:"Esta é toda a lei e os profetas."
Por estas palavras:"O céu e a terra não passarão, enquanto não se cumprir até o último jota", Jesus quis dizer que era necessário que a lei de Deus fosse cumprida, ou seja, que fosse praticada sobre toda a terra, em toda a sua pureza, com todos os seus desenvolvimentos e todas as suas consequências  Pois de que serviria estabelecer esse lei, se ela tivesse de ficar como privilégio de alguns homens ou mesmo de um só povo? Todos os homens, sendo filhos de Deus, são, sem distinções, objecto da mesma solicitude.
* "A autoridade do homem devia apoiar-se na autoridade de Deus. Mas só a ideia de um Deus terrível podia impressionar homens ignorantes, em que o senso moral e o sentimento de uma estranha justiça estavam ainda pouco desenvolvidos."
Texto retirado do livro "O Evangelho Segundo O Espiritismo" de Allan Kardec.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Fazer o Bem Sem Ostentação

"Guardai-vos, não façais os vossas obras diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis a recompensa da mão de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, dás a esmola, não faças tocar a trombeta diante de ti, como praticam os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados dos homens; em verdade vos digo que eles já receberam a sua recompensa. Mas quando dás a esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para a tua esmola fique escondida, e, teu Pai, que vê o que fazes em segredo, te pagará." Mateus, VI: 1.4
Explicação Espirita.
Fazer o bem sem ostentação tem grande mérito. Esconder a mão que dá é ainda mais meritório, e o sinal incontestável de uma grande superioridade moral. Porque, para ver as coisas de mais alto que o vulgo(vulgar, fulano que fez tal...), é necessário fazer abstracção da vida presente e identificar-se com a vida futura. É necessário, uma palavra, colocar-se acima da humanidade, para renunciar à satisfação do testemunho dos homens e esperar a aprovação de Deus. Aquele que preza mais a aprovação dos homens que a de Deus, prova que tem mais fé nos homens que em Deus, e que a vida presente é para ele mais do que a vida futura, ou até mesmo que não crê na vida futura. Se ele diz o contrário, age, entretanto como se não acreditasse no que diz.
Texto retirado do livro " O Evangelho Segundo O Espiritismo" de Allan Kardec.